Cotrimus morreu, mas passa bem.

Sim, cotrimus morreu. O @cotrimus morreu. O arroba. A ‘persona’. Em 2020 ele entrou em observação, em 2022 em estado terminal e ‘desencarnou’ agora em 2024. Até que durou bem, forte ele (touro, né?).

Ele nasceu há 20 anos, quando eu ainda era apenas um menino de cidade offline chegando na cidade online. Excitação e medo me moviam, na Internet, nesta época. Sempre curti tecnologia, um novo começo de era, de gente fina, elegante e sincera. (Hoje talvez seja apenas sobre necessidades estar por aqui, até porque essas pessoas que Lulu Santos cantou estão espalhadas e preciso manter contato com elas pelo bem da minha saúde mental).

Mas vim falar de @cotrimus. Cotrim é meu sobrenome do meio. Veio da mãe. Tem força e é o meu preferido. Eu poderia dizer que vem de ‘us‘ (que significa ‘nós‘ em inglês’), mas vem de USA (EUA) mesmo. Que merda, né? Vou contar uma história e você vai me desculpar por ter assumido isso publicamente. (Fica aqui, não me abandona…)

Uma amiga querida (da época da escola) de sobrenome Badaró estava morando em Chicago no início dos anos 2000. Ela me chamou pra ir trabalhar com ela como seu assistente. A ideia era eu ir, trabalhar com ela, fazer faculdade lá e tentar a vida já com suporte e um ‘janelão’ aberto. Não vou contar essa história hoje, ok?

O e-mail dela era ‘badarousa@yahoo’. Achei bonitinho e de sonoridade debochada. O meu na época era ‘learntosurf@yahoo‘ por conta da música do Foo Fighters (‘Learn to fly‘) e do meu desejo (que ainda existe) de aprender a surfar. Mas eu queria um e-mail mais pessoal e criativo ao mesmo tempo. Tentei o ‘cotrimusa‘, mas não deu certo por razões óbvias. Daí, tirei o ‘a’ e a mágica ‘grega’ aconteceu: COTRIMUS.

(Eu sei que você, demônia, está pensando: ‘mas ele super é cotrimusa’. Não, não sou, só pare).

Mas por que mágica grega? Porque amigos da faculdade brincavam comigo falando que eu só fazia perguntas filosóficas, porque eu amo filosofia e já quis ser filósofo, porque algumas pessoas achavam que eu tinha cara de grego ou falava grego (no sentido de não entenderem o que estava falando) e porque eu amo muito tudo que a Nia Vardalos fez na franquia ‘Casamento Grego‘.

E assim foi, até aqui. Sempre carreguei essa herança grega com muito orgulho. Sempre achei divertido, afetivo, criativo. Daí, eu resolvi migrar. Mudar de país. Pronto, ‘danou-se’.

O Instagram, do mais profundo nada e sem justificativa plausível, resolveu bloquear a minha conta @cotrimus, onde tinha toda uma história de mais de 1500 postagens. Fotos, comentários, memórias, interações, lembranças ótimas e uma curadoria de conteúdo primorosa (pra mim, claro). Era um espaço privativo (a conta era fechada), super dinâmico, afetuoso e quase ingênuo de trocas. Fora que minha rede ‘do Brasil’ estava TODA lá. Foi foda.

O tempo passou, uma nova conta nasceu, alguns contatos ainda estão retornando, e a vida seguindo. Ao criar nova conta, pensei: como quero ser etiquetado socialmente?. Difícil. Eu não mexo apenas com comida, mas eu fundamentalmente mexo com comida. Como dizer isso de uma forma que me entendam em português, em inglês ou mesmo em francês, já que estou no Canadá e quero estabelecer relações aqui? Complicado. Tom Cruise, chega aí bro.

Chegou a hora de remontar às origens, apesar do trânsito migratório. Por uma enormidade de razões, eu quero seguir falando português, explorando recursos da de culturas correlatas à minha, e é isso. @cotrimus morreu e agora temos o @mexocomcomida, onde me obrigo a ter uma postura mais profissional, ainda que o tom seja ainda pessoal (pois as contas seguem fechadas e com acesso restrito – eu não tenho pretensões de ficar famoso, quero que meus projetos sejam, eu não).

Se alguém da gringa quiser entender o que ‘mexo com comida’ significa, eu explicarei como ‘anedota cultural’ e tudo ficará bem.